24 de fevereiro de 2014

Resenha: Watashitachi no shiawase na jikan



      Me lembro de ter citado alguma vez que do meu (antigo)vício por mangá, só não leio muito atualmente porque meus dias de ócio realmente acabaram, mas sempre que posso acompanho os lançamentos mensais. Não citarei aqui Naruto por exemplo na lista das minhas preferências, por motivos bem óbvios, de tão óbvios falarei dos motivos: Primeiramente todos conhecem em virtude do sbt exibir o anime até a 3° temporada se não me engano, tanto ele quanto o mangá são do gênero shounen (direcionados para meninos e finais parecidos) não que eu não goste de naruto ou de tal gênero mas o problema foi Masashi Kishimoto ter ficado praticamente um ano inteiro (e até hoje) na guerra ninja que é extremamente incômodo e parece não ter fim. Sempre admirei a complexidade desse anime de mais de 600 capítulos, entretanto quando se trata de se fazer um final eles ficam enrolando, talvez seja medo de que fique shounen-ai ou um futuro yaoi com o Sasuke (mesmo eu querendo muito provavelmente nunca acontecerá).
     Deixemos de falar sobre isso porque a intenção é fazer uma resenha de um mangá...sim, é possível. Há aquele antigo preconceito de que anime/mangá é para crianças (estes na verdade são chamados kodomo) mas quem fala isso realmente não sabe do porque os gêneros são publicados em revistas estritamente separadas por faixas etárias, ou para quem nunca ouviu falar em hentai, lolicom ou o meu preferido (destes) gore e antes que me perguntem: Não! eu não assisto/leio os dois primeiros.



Nossos momentos de felicidade (2007) - Porque tão triste?

     Ao todo são 8 capítulos em formato mangá direita para esquerda e nunca fora adaptado para anime. A personagem principal lê o seu diário relatando 8 encontros que mudaram a sua vida. Este é do gênero seinen indicados para o público masculino adulto (meu estilo preferido dentre todos) e ao mesmo tempo romance, antes eu me perguntava se era possível coexistir em uma história e ainda com ausência de pelo menos um ecchi. Existe sim mas são poucos, infelizmente! Já ouvi dizerem que era shoujo, o que é redondamente errado tanto pela ilustração quanto pela história que é bastante densa e como trata de assuntos de suicídios, violência, prostituição, pobreza e hipocrisia nunca seria um gênero voltado para o público feminino adolescente.
      Os desenhos da Sahara Mizu são incomuns em relação aos mais famosos, imagino que ela tenha um traço leve e rápido, não mal-feito, e logo eu que não admito traço ruim amei o estilo e principalmente as ilustrações preenchidas que parecem pinturas japonesas bem tradicionais. Já vi alguns outros trabalhos dela mas não me interessei pela história que nem se compara a 'Nossos momentos de felicidade'.




   Mutou Juri, da família dos Mutou é filha de uma ex-pianista muito famosa e já tentou suicídio três vezes. Ela é depressiva, mimada, fumante e egoísta, dinheiro nunca significou muita coisa e constantemente é internada nessas clínicas de reabilitação que é moda entre as celebridades atualmente. De acordo com o que é mostrado da sua vida atual, não há grandes motivos para um suicídio, há apenas fatos passados a serem superados. 
   Depois da sua última tentativa, é obrigada a acompanhar sua tia (do clero) em uma visita a presidiários, e um em especial que se corresponde em cartas o qual se encontra na mesma condição de Juri, sim, mesmo condenado à morte ele tenta suicídio pois ele pensa que sua morte trará paz para as famílias das vítimas que matou. As visitas acontecem toda quinta-feira ás 10 da manhã, neste momento já fica obvio até mesmo pelo gênero do mangá ser romance, que entre eles haverá algo, mas não é tão simples quanto parece. Em sua primeira visita Yuu se mostra um pouco arisco e desiludido com as pessoas do clero devido suas experiências anteriores o que faz do 1° encontro meio conturbado.

   Logo eles descobrem que Juri havia sido pianista precoce e talentosa que há muitos não tocava, e que até então se recusa a tocar novamente, isso tem haver com seu ódio pela mãe e o desamor para com a vida. Durante a leitura, mesmo sendo contado pelo ponto de vista da menina não me senti condoída pelos problemas e pelo lado dela, pelo contrário, gostei e me identifiquei psicologicamente com o Yuu do começo ao fim, assim como decisões precipitadas, responsabilidades precoces, consciência tardia, a melancolia com que trata a vida ao mesmo tempo na exaltação de coisas muito simples.
   A partir do 3° encontro as conversas vão se tornando cada vez mais agradáveis, principalmente pelo motivo de que 'todos carregamos nossas próprias dores' e com apenas 30 minutos por semana os semblantes iam melhorando e um começa ser a terapia do outro: ele escreve cartas enquanto juri tenta desenhar seu rosto e momentos ao seu redor como uma tentativa de aprender também valorizar as pequenas coisas.



  Em um desses encontros ele escreve do porque ele matou aquelas pessoas, o que não foi de todo proposital mas que não vale a pena falar toda a história pois é emocionante demais para descrevê-la, como foi um garoto pobre sempre fez de tudo para conseguir dinheiro para comer, isso incluía se  prostituir e fazer serviços ilegais que trouxeram prejuízos para ele e levaram-no preso. Aparenta dele ser um suicida desde o começo, e sempre se aceitou em sua condição de presidiário no corredor da morte.
  Aos poucos Yuu sente medo da sua execução e começa a ter remorsos e Juri medo por ser deixada, é uma reviravolta impressionante por dois suicidas. O final não é inusitado ou surpreendente, eles não ficam juntos, é muito melhor que isso e só lendo a última carta dele dá pra chorar bastante.

                                                                                                              Senhorita Mutou,

  Me pediram para escrever uma última vontade mas, mesmo que eu tivesse bens valiosos para passar para frente eu não tenho família para lhes entregar. Então escrevi uma carta para você como sempre (...) graças as quintas-feiras que passei contigo eu soube pela primeira vez como é ser feliz, isso era algo que eu não poderia alcançar sozinho. Era como se eu entendesse porque as pessoas vivem a vida se misturando com outras (...) Talvez eu pudesse ter-te dito as palavras que nunca pude dizer, palavras que não dissera nenhuma vez desde que nasci, provavelmente desde então eu tenho te amado. Viva. Nem que seja por apenas um dia (...)


Mangá disponibilizado em centraldemangas.com.br

Créditos e afins






8 de fevereiro de 2014

Que vida cinza, cinéreo
Cinzeiros eternos
Não fumo, não costumo
Só bafejo a fumaça de mim cinza.

6 de fevereiro de 2014

Resenha n°2



Precisamos Falar Sobre Kevin (2011) - Há várias formas de ver a mesma situação

Diretora: Lynne Ramsay
Países: Reino Unido, EUA
Gênero: Drama

          Este é um filme bom para uma história incrível, defino como um dos que me frustraram, sinceramente eu esperava uma trama mais hollywoodiana (não estou reclamando), com aquela maldita fórmula de fazer longa-metragens de Hollywood, esse tipo de 'fórmula' me entedia mas hoje devo dizer que eu esperava uma adaptação assim para o Best Seller de Lionel Shriver.
   Desde 2008 eu o esperava ansiosamente Precisamos Falar Sobre o Kevin como um filme sadista com cenas fortes, frias, sanguinolentas e perturbadoras narrando o crescimento de um Serial Killer e como ele conseguiria tais feitos...nada disso. Eu nunca li o livro por motivos de spoiler, na verdade se nunca tivessem me contado o fim penso eu que não me interessaria naquela idade por um livro com nome de discussão familiar. Um outro motivo é porque é um pouquinho caro e sempre que pretendo comprá-lo acabo levando até dois livros pelo mesmo preço.

      O fato é que o livro, diferente do que eu imaginava, não se trata da cabeça do Kevin mas sim da mãe dele e se eu tivesse lido o livro eu saberia disso -tonta-. O filme começa com uma cena estranha de uma multidão banhando-se em vermelho o que presumo ser tomate - tenho algumas teorias do que poderia aludir essa cena mas seria um tanto medonha, com spoiler e talvez um nonsense bem bacana - logo depois mostra a rotina atual de Eva que é constante alvo de vandalismo, reprovações de comportamento em sociedade e humilhação, tudo isso por um único motivo: Kevin.
     Eva, Interpretada por nada menos que Tilda Swinton uma atriz sinistra com esqueletos a mostra, olhos que mais parecem ter um buraco que suga sua alma e que sempre me deu medo, ela convence muito bem no papel da mãe de um assassino. Entre uma cena e outra há flashes de sua vida a alguns anos atrás desde sua experiência da maternidade até o incidente que mudaria não só a vida de seu primeiro filho mas a dela também.

     É bem nítido que ela jamais seria uma boa mãe, a mulher estranha (lê-se atriz estranha) faz cara feia ao ver crianças, não gosta de estar grávida e não tem paciência, esse é um dos pontos de vista que tem o filme porque as vezes o espectador é induzido a estar a favor da mãe, outras vezes contra ela, mas nunca a favor do Kevin. Eu concordo que Eva tenha tentado e muito a converter seu filho a ser socialmente correto, mas devo admitir que nenhum deles é receptivo a ações do outro, o que torna a convivência de ambus insuportável. O pai é uma figura bem secundária, não sei se é pouco mencionado no livro ou que é um pateta mesmo mas o danado consegue o amor dos filhos sem grandes esforços, pode ser que ela também nem goste do marido ou de ter se precipitado ao casar-se com ele e gerar todo esse desinteresse por família. Este também pode ser um dos pontos de vista adotados: o ódio de Kevin apenas para com a mãe.

Ela deve estar relembrando do quanto odeia vocês.


      Mesmo controlando seu desgosto por ser mãe, o Kevezinho não ajudava nem um pouco e logo na infância já se mostrava ser uma criatura *diabólica* incomum e estranha; a maneira como é nos apresentada certas cenas é subentendido que inconscientemente a criança já tem noções socias e da sua condição de 'inocência' para provocar Eva. Quando adolescente (Ezra Miller) parece estar com a personalidade melhor formada e de um mau-caráter estampado na cara sem sal do ator, lembrando que eu não estou a falar mal da escolha dos atores, e sim que eles tem a cara de filme da série "Nunca passará na TV aberta brasileira" não sei bem se seria bom ou ruim ter esse tipo de filme caindo no gosto popular, na verdade tenho algumas opiniões neutras sobre esse assunto, mas de certa forma agradeço a Lynne Ramsay (não, eu nem conheço) por ter feito esse longa assim, e não um cartaz de 'adolescente modelo assassino' igual a porra que fizeram em 'Hannibal: A origem do mal' onde eles destroem a reputação de um dos meus serial killers preferido.

   Tudo acontece de uma forma lenta, quase parando e não, eu não estou sendo irônica. Até o ventilador é lento! As vezes é deprimente. Em suma a diretora tem um apreço por detalhes que passam desapercebidos no convívio com uma pessoa de característica tão peculiar, que no final esses momentos se tornam significantes e indispensáveis na notoriedade do ponto de vista adotado.
   Do meio para o final alguns espectadores talvez odeiem Kevin pelo seu jeito manipulador e minucioso ou pelas maldades que faz com sua irmã mais nova, o fato é que depois de se tornar um criminoso e por mero capricho em vê-la sofrer, ela não é morta, afinal feito isso não só estaria destruindo sua vida como também desafiando-a a viver com a eterna culpa de parir um assassino. Entre os flashes percebe-se a boa condição financeira da família em contradição com a condição atual em que se encontra, essa decadência não é mencionada mas presume-se que tais ações levaram-na a perder a carreira e reputação.


    Bem no finalzinho é subentendido que Kevin se arrepende e entre as eventuais visitas dela os dois se tornam mais próximos, e mesmo não sabendo o porque dos crimes cometidos [no filme] ele não é sentenciado como doente mental. Meu ponto de vista em relação ao filme é neutro, MAS penso que o desfecho trágico poderia ser evitado com uma mãe que não odiasse a princípio o filho. As escolhas uma vez feitas não há mais volta, entretanto se nunca feitas tudo se torna possível, mas isso se trata de outro filme, em uma outra resenha. Enquanto isso apreciem a 'beleza' incomum de uma atuação maravilhosa.
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