23 de janeiro de 2014

Resenhas?

   Normalmente eu não faria resenha, aliás nunca sei ao certo como fazê-las porque sempre acabo contando o final e estrago a maioria dos filmes os quais comento. Não sei qual é o meu problema em criticar (sou boa nisso rs) mas muitas das vezes sinto que são de todo insignificantes e os leitores querem ler algo completo, e não que complete algo que deveria estar completo. -Acho que minhas paranoias me limitam-. Mas quando eu for contar spoiler de alguma forma aviso, sei o quanto é desanimador saber o fim antes de ver o começo, pelo menos em alguns casos como animes, mas como não gosto muito de seguir as regras vou falar sim o final.

   Sou uma espectadora nada ávida pois me entedio muito fácil com qualquer filme com o enredo óbvio e estereotipado, prefiro curta-metragens ou documentários. Na verdade cinema não me chama muito atenção, por isso vejo pouquíssimos filmes sendo a maioria adaptações de obras célebres e geralmente clássicas; não me importo com o país de origem (mas gosto muito dos franceses), atores, ou época eu apenas assisto ou os ignoro, muitas vezes abandono e se a adaptação foi ruim apenas é provado a superioridade que tem o livro.


O cérebro que não queria morrer (1962)

Direção:Joseph Green
Pais: EUA
Gênero: Ficção Científica

  Não sei bem quando isso começou, não sou uma psicopata, mas esse filme juntamente com 'the frankenstein' contribuíram com minhas taras necrófilas. O longa-metragem se trata de um médico que deseja descobrir uma maneira de transplantar partes do corpo e órgãos não sofrendo rejeição de ambos tecidos; na época em questão o assunto é um tabu, pois os experimentos seriam feitos logo em seres humanos. Mesmo assim Dr. Bill Cortner mantém em seu laboratório secreto fazendo experiências com seu colega e uma cobaia mantida presa. 

                          "As pessoas temem o que não entendem, e o que não podem ver."

  Quando o doutor se salva de um acidente de carro juntamente com sua noiva que morre, ele tira sua cabeça e a leva no laboratório. A atuação até este momento é horrível, a cada cena você se pergunta 'o que aconteceu mesmo? ah isso que ele levava era uma cabeça' as falas incomodam de tão diretas, não há expressão facial e tem excesso de fundo musical, mas isso não faz do filme ruim porque foi típico da época. Depois de alguns fluídos, soros e líquidos (biologicamente descabidos) que ele mistura a cabeça Jan Compton vive novamente; como agora ela precisa de um corpo, Bill sai em busca de uma mulher fácil para matar.
Deixe-me morrer!


Nesse espaço em que ele permanece fora, Jan se comunica com o monstro que vive detrás da porta e juntos planejam vingança contra seus criadores. (O que acontece depois? todo mundo morre exceto o monstro e a moça que serviria de 'corpo')
   É bem raro eu recomendar esse filme pra alguém, porque ninguém que eu conheço gosta desses filmes antigos, por isso vou postar no blog meus gostos nada comuns, já que eu não vos conheço.





Ano de lançamento: 2010
Gênero: Drama
País: Brasil
Diretor:  André Klotzel

   Nunca entendi do porque reclamam do cinema brasileiro, podem ser escassos de efeitos gráficos e cenários fantásticos, mas particularmente conservo a opinião de que são exelentes e tem um lugar especial nos meus favoritos, assim como o zé do caixão que sou fã desde pequena (mas devo guardá-lo para um post exclusivo). Reflexões de um liquidificador é um filme equiparando a utilidade dos objetos e a dos humanos tais como o motivo de viver e ser descartado. O diferencial do filme é o fato do liquidificador (Selton Mello) falar e a dona (Ana Lúcia Torre) entender, com isso ela descobre que seu marido (Germano Haiut) que era vigia noturno a traía com uma enfermeira bem mais nova, o que levou o objeto se tornar seu maior cúmplice.

__"Pensar é um vício, sentir é uma cachaça."

    Quando uma hélice nova é posta ele começa a ter consciência e a prestar atenção nas conversas das pessoas filosofando suas vidas medíocres. __"Essa vida cheia de duvida é que chamam de vida consciente." Dona Elvira vai a delegacia para dar queixa de seu marido que havia desaparecido, e um policial (fuinha) decide ficar em sua cola alegando que ela seria uma fria assassina que havia surpreendido seu marido enquanto dormia, furando-lhe o ouvido com uma agulha de taxidermia, esquartejando-o e triturando-o no liquidificador.

"Não ser gente já é uma forma de ser feliz."

  São poucos os personagens, o que faz do filme mais voltado a reflexões, são eles: a vizinha meio ninfomaníaca que guarda em segredo sua tricofilia do namorado 'liso'. O carteiro que fala demais e o delegado que acredita que dona Elvira foi abandonada pelo marido, além dos personagens anteriormente citados. Confusa a 'resenha'? talvez eu tenha contado o final, talvez não. O filme é assim mesmo, poderá uma mulher sem nenhum traço psicótico matar tão friamente o marido apenas pelo orgulho ferido? 

"O sentimento humano é uma hélice de dois gumes, uma lâmina alisa tua vaidade, a outra corta fundo teu orgulho."

  Eu não mudaria em nada esse filme, também não imagino outra atriz fazendo o papel da dona Elvira. Talvez outra pessoa para as falas do liquidificador fazendo um papel mais sério entretanto, torná-lo ingênuo deveria ser a intensão da escolha do ator. Devo dizer que o filme em geral nada corresponde a realidade, não só porque um liquidificador não pode falar, é que atualmente nunca apegaríamos a um objeto ultrapassado ou trocaríamos uma peça dele. Outro motivo: está ficando difícil matar ou dar um sumiço em alguém; último e mais importante: não valorizamos outros pontos de vistas senão o nosso, acredito que seja a principal mensagem do filme.



13 de janeiro de 2014

Gato preto

Quem dera ser eu, um gato preto. Mas daqueles bem negro e arredio, dos pelos eriçados, dos olhos verdes fluorescentes que lampejassem ao anoitecer. 

Que vivesse nas ruas, e do desprezo de cada gente, minha presença doente pudesse livrar. Nos passos meus, caminharia nulo, alguns tímpanos captariam meu terno desapego até mesmo ao chão que sustenta de pé. 
Gato daqueles de arrepiar a espinha se com caminhos errados passar.

Quem dera ser eu, um gato preto. Mas daqueles bem azarados, e que também causasse azar. Suas cóleras escarnecidas, refletidos no almejo proscrito eminente da carne.


De gato pensante cheio de pesar. Silencioso, não dorme. Por medo de que sua existência pudesse se dissolver; no negro que é teu pelo, junto ao negro que é a noite.


De tão negro não teria sombra, de tão solitário não seria só. 


Enquanto tivesse dois olhos, uma faria companhia para o outro."


Odinista