30 de setembro de 2013

Saudamos a morte,
que seja bem-vinda.
Beba uma dose de veneno,
uma dose doce para vida;
uma dose amarga para quem fica.

Nunca mais


Tudo que fui, conjugado nos tempos
Tudo que sempre quis, não prefira!
A essência da fonte, sublima
Na dúvida siga por onde não há caminho.
Jamais!Jamais!
Num fio desta fonte de veneno cintila
Melhor que nunca tenha bebido.
Cale teu querer, num cálice maldito
Quem embebe solitário
Há de morrer sorrindo.
Nada mais!Nada mais!
Foi-se a vida! Ficaram-me ossos
Mortalizados, aquebrantados, estáticos
Como esses cálices amargos
Cinzeiros cinéreos da essência contida.
Tudo quanto fores marcado
Pegadas a três palmos da terra
Sobre a morte e o morrer
E verás, eterno aprendiz
Somente pendulando é que pode saber.
Deixe o morto em paz,
De seus dias funestos o faz lembrar
Que a vida ele não quer
Nunca mais!Nunca mais!

Odinista

Controvérsia

Há sempre extremos
que teimo em andar.
Simultaneidade.
Se há mais de mim
dentro de mim mesma,
ocupa espaço demais.
É tanto amor e tanto ódio
que explodirei.
Não se desvia assim,
desta estrada de dois rumos
desta faca de dois gumes.
Opostos
relutantes.
Sempre solitários,
Sorrindo para mim.
São duas artérias
para um só coração,
Sou uma eterna contradição
Não sei se tenho coração.

Odinista

19 de setembro de 2013

Quantas primaveras




O inverno escorre esvaecido enfim, gelado.
Como no cair gotas nitentes de orvalho.
Co'a primavera anuncia nas flores, o vento calado
que deixa lentamente o frio latente dos galhos.

O peito descongela, derrete, volta a bater errante
cala-te batimento inquietante!
Não faz-me precito alguém, não mais que ninguém
tão profunda admiração pelo inverno cortante.

Conta quantas primaveras são.
Quantos perfumes lavaram a neve de aljofre
quanta mocidade levou o pélago olhar?
Atento! O advir do inverno é adagio da ilusão.

Odinista

17 primaveras enfim.

17 de setembro de 2013

A noite de sereno me derrama;
enquanto
me derramo no papel, poesias.
Na poesia as letras me encurralam;
enquanto
me encurralo das doses de alegria.

12 de setembro de 2013

Gavetas que guardo



Guardadas no fundo,
escuro,
no canto,
em segredo;
para ninguém olhar o que se esconde.
Caixa enfeitada,
anéis dourados, pra que?
Se os maiores tesouros são
escritos à mão.
São pedaços de mim,
retorcidos
calados,
restos de poesias dissipadas
em papeis velhos
com letras embriagadas;
contos que já sei de cor.
Mandam-me queimar,
mas seria o mesmo
que atirar-me numa fogueira.
Pois sou tudo o que escrevo,
linhas amargas
tudo que vejo, e declamo -declaro-.
Em silêncio
Mas tranco tudo numa gaveta
e me amarro em versos,
amarro em pedaços de mim mesma
para juntar-me
para colar de volta.
Prendo amores, em rimas.
para que não fugas
e fique bem longe
dos olhares agourentos,
basta meu poço de azar
e fique bem longe de quem
desate meus laços
bem longe de quem lê o que faço
para manter-me na sanidade.
A gaveta é purgatório, e paraíso
e o mar, seus olhos.
No final de cada verso
alguém chora.
Por vezes quis que meus cantos
fossem alegres
mas nas gavetas, não há mais cantos
que se encarreguem.

Odinista

4 de setembro de 2013

Cúpula de vidro

Há um lugar
dentro de nós
refletindo o vós
embaçando o eu;
comunicando mudo
a loucura de ser.
Lugar que vê de nós
vê demais, o que não deve.
Transparecendo faces rubras
ardentes e febris
ardente como brasa;
no vidro a mais esperada.
Refletindo nos olhos
nem eu nem você.
Cúpula de vidro
gaiola bonita,
prende quem entra,
ilude quem vê.
Hediondos tempos
desmancham-se verbos
conjugados no eu,
perdido nos modos
imperativo,
relutante e descabido.
Na loucura de ser.

Odinista