7 de julho de 2013

Deleito


O que há além das fronteiras,
além das fulguras estrelas
que retumbam mil dores pelo ar.
Longe, tão distante terra 
onde eu possa alcançar?

Se há vida, não sei. Se há, matei.
Para onde o vento foi, a luz peregrina levar
que deixou misturar o azul dos teus olhos,
junto as águas soturnas do mar?

Se há tempestade, não sei. Se há, afoguei.
A onda bravia não o trouxe de volta.
Derramam-no de escuma, lástimas em revolta,
o leito não é visto, a existência o engole.

Com receio de pular, temi esmaecer.
Com o balanço que a razão delira a vagar,
anui atrás das dunas, como quem deita a morrer.
Triste sina, não poder adentrar o lânguido mar.

Com receio de afogar nas azuis retinas,
contentei em congelar apenas um olhar,
embebendo de pesares cada dia.
Para que eu deleite num recôndito a banhar.

Mas o tempo permanece inerte. 
Não vai, não fica, não passa. 
Quero sonhar mais uma vez,
abraçando o mar, os olhos de mar.

Odinista