27 de janeiro de 2013

Amor mesquinho


Posso ser céu, se tu fores estrela!
Posso ser espelho, se tu fores reflexo!
Posso ser flor, se tu fores abelha!

Éramos sim, o caco e o vidro, a tampa e pote;
a pedra de tanto polida que perdeu o brilho,
apenas o resto daquele amor sem porte.

E os olhos carregados de dor transbordou;
dor de um passado cruel e frio;
e aquela flor de tanto mel se envenenou.

Os ouvidos, caducos de mentiras
por brilhares em outros céu,
deste brio que só me traz ira;
e toda noite me lembras do fel.

Por refletires em outros espelhos;
que não vêem a mente absurda,
não diferem os sentimentos velhos;
mas fingem que ouvem teus gritos mudos.

É por voares em outros jardins
que nego-me a ser vento,
nego a espalhar esse cheiro tão mesquinho.
Por um dia desejar ver canteiros;
os canteiros que nunca serão meus.
(...) por amar demais o cheiro das flores.

Odinista

23 de janeiro de 2013

Desgraça a dois


Quero partilhar do teu silêncio
e silenciar teu canto.
Envenenar-lhe com o mais doce dos venenos
e o fazer engolir teu pranto.

Fomos pintores das nossas desgraças
que moldamos com dores e desamores;
e o livro da nossa estória, incompleta
e comida pelas traças.
Quero partilhar dessas páginas.

Juntaremos os pedaços do vidro,
os cacos da alma, e as noites de desespero;
e faremos o mais bonito e trágico
de todos os cristais.
Quero partilhar dos ais.


Mas nada emoldura a eternidade.
E as mentes cheias só culpam
nossos corações que permanecem vazios.
Que entre os pecados e suicídios
a vida esvaia turva.


 Quero partilhar da tua loucura.

Somente por desejar que nós
corrêssemos sem tropeços;
(...) e querer fugir da sua morte.
- da morte que a vida me traz. -

Odinista

7 de janeiro de 2013

Parnasiano

De olhos estranhos,
ele percorre os versos
a procura de palavras

e sentimentos óbvios.
esperando de um súbito,

que tudo salte da linha
e venha ao seu encontro.
Falso poeta entende a razão

e procura a lógica
Versos presos a rimas
versos caídos
versos do parnasiano,
todo perfeito.
Perfeito e sem nexo
de prole sublime
esgueira no entorno.
Pobre parnasiano
quis ver a forma;
mas esquece da poesia.


Odinista

4 de janeiro de 2013

Existencialismo Abstrato II


Sou uma escrava do pensar
de um epitáfio indecifrável.
Sou a melancolia dos túmulos senis
e a poesia da lápide esquecida,
sou a flor do defunto
que no corpo desfalecido repousa.
Sou a profecia do apocalipse
a chuva de sangue
e também o soar das cornetas.
Sou o acento sem letra;
a direita e a esquerda;
e o rio sem nascente
que deságua nos olhos que lacrimejam
as dores que nele velejam.
Sou as várias coisas ao mesmo tempo
e ao mesmo tempo sou o nada.
Sou o vale das incertezas
que rastejam os homens em pranto.
Sou os sonhos, e os escombros
o pesadelo e o tormento
sou a peste sedenta
o canto solitário do agouro insano.
Sou o vinho vencido do aborto de um fruto,
a doença e a cura;
Sou espaço entre o certo e o errado
o sim e o não;
o segundo entre o prédio e o chão.
Entre a arma e a cabeça; a faca e o pulso.
Presas nas presas do silêncio avulso.


Odinista

2 de janeiro de 2013

Vazio II


A guerra e a matança
são necessárias
para que a vitória
seja glorificada
vitória vazia...glória vazia...
A própria morte
desencadeia mais morte.
E os pobres tolos ambiciosos
caminham cegamente para o túmulo,
alimentando-se da própria fome;
curando-se da própria doença.
Dores caem no campo de batalha
e nos restos de vida que restam,
só resta um grande vazio.
Seus corações palpitam incrédulos,
e visam que o mesmo motivo
que os fazem viver
um dia vão os matar.
Suas respirações inebriam silenciosos
em busca do ar da paz.
A própria paz é vazia.
O manto da morte encobre
os corpos cadavéricos deixados,
e leva para si as cores
das suas antigas condições.
E os dementes afoitos
lutando com seu próprio punho
tendo em mente a liberdade
...vazia.
Há coisas que valem a penas viver
outras valem a pena morrer,
o que na verdade vale a pena?
Os restos da guerra
permanecem no escuro.
Os frustrados rastejam
insensatos com a derrota
e não admitem que
não há vencedores;
não há perdedores;
só há o vazio da morte
o vazio; nada mais.

Exorcist-a

Flores II


Em meus trágicos
jardins há flores;
flores embriagadas
que choram sangue;
sangue vermelho e vivo,
não se sabe de onde;
onde foi que deixei
aquele inútil amor;
amor pelas flores...
o manchei o perdi;
o perdi porque neguei
e reneguei tua beleza;
beleza que as flores tinham...
e que acabam logo.
As borboletas que
pousam e repousam,
nos trágicos jardins
da minha alma,
suas asas estão
manchadas de pecados
e refletem a luz
de suas dores por voar
... sem direção.