28 de dezembro de 2012

[vazio]


Um nada,
a falsa razão
que vaga no vazio
derivada do nada.
Tal vazio 
que cabe tudo,
embrulhado…
em uma grande mentira.
Apenas gestos vagos
que dizem e ditam;
Apenas palavram vagas
que iludem e prometem,
o anseio pasmo
da promessa do amanhã
sem guerras, sem si
seguros de paz.
Velando sem honra
o desespero do ontem
empunhando a espada
forjada em ira
a lâmina finge risonha
e os gritos de pavor 
derramam sobre ela.
Estão caminhando
à passos cegos
entre a cortina de tiros
que findam na carne.
Humanidade covarde
joga a granada…
que explode sem dó
e enche o cálice de sangue;
o sangue inocente
que está sendo derramado
de novo… e novamente.


Exorcist-a

Testamento

Mas se eu escrevesse e descrevesse
exatamente tudo,
aqui seria um cemitério meu
onde morri tantas e tantas vezes.
Eu ocuparia todas as covas
as covas que eu cavei
e em cada lápide haveria
uma causa diferente
em uma data diferente.
E você choraria junto... ou não.
Caro leitor, não tome minhas dores
mas me dê as suas...


25 de dezembro de 2012

Existencialismo Abstrato

Sou o canto estridente da gralha
canto inexistente…
Sou o choro do doente
e o grito dos revolucionários,
que fazem de sí, escada.
Uma poesia vazia
inconsequente e Inebriante.
Sou o esgoto que suja o mar
recheado de angústias e apelo.
Sou o céu vermelho, marejado em sangue
a lua que derrama rastros de luz…
e também as estrelas já caídas.
Sou a blasfêmia que sai da boca dos hereges
condenados ao fogo duvidoso.
Sou a dor e o rancor
que apesar dos pesares
sente alegria na tristeza.
Sou o vento que sopra do sul
frio…melancólico…
Sou o idioma morto que falou uma nação
viva na memória do tempo.
Sou o carrasco que te direcionará à forca
a lâmina da guilhotina.
Sou a lei que condena meus erros
e o tribunal que julga os inocentes
na justiça derivada injusta.
Sou o gosto amargo do doce
e a contradição em ser o que sou
Sou o livro trancado pra ninguém ler.

24 de dezembro de 2012

Plantei a semente do mal;
em um canto escuro da minha alma.
E reguei com raiva e rancor.
Nasceu uma flor,
com mais espinhos do que pétalas.
Uma flor sem cheiro,
que destrói as outras flores.
Tinha essência de morte,
e espelhava a alma que a trazia.

Flores

De tão belas passo a odiá-las.
Tão alegres que me entristecem.
Tão vivas que me noturnam.
São usadas em caixões

para ocultar a tristeza da morte;
ou dadas para trazer 

um temporário sorriso falso;
na face chorosa de um alguém.
Flores morrem rápido;
e qual seria o seu objetivo de nascer,
se durará tão pouco?
Do que adianta uma bela flor;
se dela não virá um fruto,

nem uma semente.
Flores só tem aparências,

uma máscara;
de tão belas são ilusórias.
Pra que serve uma flor ?
O mundo não precisa das tuas cores
…eu não preciso.
Só peço que não me dê flores.

Paredes


As vezes a dor do silêncio
escorre pelos olhos;
e me custa alguns tormentos.
Em um desses meus devaneios,
dou nome às paredes.
Talvez elas sintam a minha falta;
quando eu finalmente sair.

Não as considero uma jaula;
as paredes que eu criei,
um muro entre eu e as pessoas.
E não me importo
quantas pedras joguem.
Com elas construirei muros
mais altos ainda e por fim meu castelo.

Através delas ouço o choro dos céus;
sinto o cheiro da terra, agora molhada.
Onde os mortos repousam;
daqueles que em mim, enterrei.

Começei a me calar,
ouvir meus gritos mudos.
Que hoje canto como a canção dos mortos.
Adianto meu tormento,
velando meu futuro.
Do qual espero que as paredes
estejem bem mais altas,
e mais seguras do que nunca.

Exorcist-a